Cultura de paz

Eu, Dora e as azeitonas

Foto: Pixabay

Acho que fazem uns quatro ou cinco anos que “empatia” virou, definitivamente, a palavra da moda. Cumpra-se ou não o que é dito, a regra é: coloque-se no lugar do outro e tente sentir o que ele está sentindo ali. É um avanço incrível se a gente pensar que, muitas vezes, nós nem tentamos imaginar o que o outro sente. Mas, se quisermos dar um passinho adiante, vamos precisar entender que “se colocar no lugar do outro” nem sempre é suficiente. Muitas vezes não é. Por um motivo bem simples: o outro não é a gente.

Tenho que fazer uma confissão a vocês: eu detesto azeitonas. Acho amargo. Já me explicaram várias vezes que não é amargo, mas é assim que eu sinto. Minha filha Dora, a primogênita, por outro lado, ama azeitonas. Uma vez, no supermercado, perguntei que guloseima ela queria levar pra casa e ela respondeu sem pestanejar: um vidro de azeitonas. Conto esse caso pra explicar que não adianta eu me colocar no lugar da Dora quando ela está comendo um prato de azeitonas. Minha primeira reação seria sentir pena dela. Mas ela está praticamente num momento de oração diante daquele prato.

Colocar-se no lugar do outro às vezes é pouco pra melhorar as nossas relações. A gente se irrita facilmente quando convida o filho, a mãe, uma amiga ou o namorado pra um programa que a gente considera simplesmente imperdível e recebe como resposta um “vou pensar” ou “acho que hoje não”. Parece desfeita. Tem gente que chega a ficar com raiva. Mas vale a pena pensar ao menos na possibilidade de não ser nada pessoal. Lembre-se das azeitonas da Dora… ela poderia, de bom grado, me dar um vidro de 500 gramas, acreditando que esse seria o melhor presente do mundo!

Ninguém precisa adivinhar se o outro gosta ou não de azeitonas, se sente-se bem na sala de cinema ou prefere a arquibancada do estádio, se gosta de companhia quando está sofrendo ou acha mais confortável ficar só nesses momentos, como também não somos obrigados a saber que a palavra que a gente escolheu usar soou ofensiva à outra pessoa. A gente pode simplesmente perguntar, sem intuir que já sabe a resposta e sem constranger a outra parte a nos responder aquilo que gostaríamos de ouvir: se você me perguntar se eu gosto de azeitonas, depois de me presentear com três vidros de 1 quilo dentro de uma cesta decorada com laço de fita vermelho, é provável que eu lhe diga que amo azeitonas! (Pensando bem, depois desse texto, acho que vai ficar um pouco constrangedor…)

Eu sigo aqui, tropeçando muito, mas tenho percebido que perguntar e observar são duas coisas que nos ajudam um bocado a melhorar as relações que a gente estabelece. No que tange às relações com filhos pequenos, tem um vídeo que a Isabela Minatel gravou para o TED que eu acho precioso e, por isso mesmo, reproduzo logo abaixo deste texto. Pra trabalharmos essas e outras questões dos nossos relacionamentos, eu convido cada um de vocês a conhecer o projeto Pacificando as Relações. Vem comigo!

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