Blog

Sem categoria

Recalculando a rota

Para Márcia Baja

Imagem: Pixabay

Na semana passada, uma mulher chinesa quase morreu ao sofrer um infarto enquanto ajudava seu filho a fazer a lição de casa. Pelo inusitado da situação, o caso virou notícia em jornais do mundo inteiro (confira os links no final deste texto). A mulher disse que sentiu muita raiva e “teve vontade de explodir” porque não conseguia fazer o filho pequeno entender a questão encaminhada pela professora.

Decidi falar desse assunto, que não me sai da cabeça desde que li a notícia e a repercussão do fato pelas muitas mães que fazem parte do meu círculo, porque considero verdadeiramente preocupante o nível de estresse sob o qual a gente tem vivido.

Eu não me lembro de ter a ajuda da minha mãe para fazer o para-casa do 3º ano. Não acho que as mães não devam ajudar seus filhos, caso sejam solicitadas. Por favor, não é isso. Só fiquei pensando no que leva uma moça de 36 anos a infartar porque o filho não entendeu a lição. No que nos leva a querer controlar a vida e as suas circunstâncias de tal modo que se uma criança não nos dá a resposta que acreditamos ser necessária “temos vontade de explodir”.

É disso que trata este texto. Dessa ilusão que temos de que tudo pode ser controlado. Algumas crianças vão repetir de ano ao longo de sua vida escolar. Alguns de nós vão adoecer no próximo ano. Algumas pessoas que amamos vão partir antes do que esperamos (esperamos?). Alguns de nós vão perder o emprego. Alguém vai se separar. Alguém vai trair e alguém será traído. Não estou desejando coisas ruins a ninguém, mas é assim, desse jeito, que a vida acontece. Não apenas a sua vida. A vida de todos nós.

Acontece que planejamos cada vez mais o nosso futuro e suportamos cada vez menos o que não estava nos nossos planos. “Tentei explicar a ele várias vezes, mas ele não me dava a resposta correta”, a chinesa que preferiu não ser identificada contou ao jornal. “Comecei a ficar com raiva e sentindo que explodiria. De repente, eu me senti tonta e com dificuldade para respirar.” Ela certamente se esforçou muito para ensinar aquela lição ao filho. E se você tem uma criança em idade escolar deve entender exatamente o que estou dizendo.

Nós geralmente esperamos que a vida nos ofereça uma farta colheita quando pensamos ter-nos dedicado à boa plantação. Mas a geada também assola a lavoura de quem trabalhou duro. Ninguém tem culpa. Apenas acontece assim. Talvez o garoto chinês acabe entendendo a questão proposta pela professora. Talvez não. Mas ele certamente não queria que sua mãe corresse risco de vida.

Nem sempre vamos conseguir “enfiar na cabeça” de uma criança de 8 ou 9 anos os conceitos que acreditamos fundamentais para a vida. Nem sempre vamos conseguir manter o emprego que nos garante o sustento. Nem sempre, apesar das dietas e exercícios regulares, vamos ter a garantia de nos manter saudáveis. Nem sempre vamos conseguir adiar o nosso encontro com a morte.

Quando digo que preciso abrir mão do controle, as pessoas me falam que isso é muito difícil. Mas a gente não tem controle de nada: abrir mão é simplesmente reconhecer isso. O ponto é que nem esse reconhecimento é capaz de tornar essa tarefa menos difícil. Ela é, de fato, dificílima. A não ser para as crianças. Uma das minhas filhas, dia desses, diante da minha aflição ao vê-la tomar suas próprias decisões (essa coisa que a gente costuma chamar de “se arriscar”), me disse apenas: “Me deixe ir, mãe. Me deixe errar. Pode ficar tranquila porque eu sei gritar e se der errado eu volto correndo e conto tudo pra você”.

Talvez eu nem esteja aqui pra ouvir todas as coisas que vão “dar errado”. Meu desejo e minhas ações meticulosamente calculadas não podem garantir que tudo estará sob controle. Entretanto, pra aumentar a chance de estar disponível pra ela, é prudente melhorar minha alimentação, fazer algum exercício físico e diminuir a tensão. O que me faz lembrar de uma das pessoas mais lindas e sábias que já tive a honra de conhecer: Marcia Baja, yogini e tutora do CEBB. Foi dela que ouvi uma vez que o “método Waze” é uma boa maneira de lidar com a vida. Quando a gente erra o caminho, o aplicativo não berra nem diz que tudo está perdido. Ele apenas avisa: “Recalculando a rota”. E seguimos.

Links para algumas matérias sobre o caso da mãe chinesa:

Cultura de paz

A vida em mandala

Foto: Francklin Celso Vitor

O planeta não precisa de mais pessoas bem-sucedidas, o planeta precisa desesperadamente de mais pacificadores, curadores, restauradores, contadores de histórias e amantes de todos os tipos.

DALAI LAMA

O mundo geralmente se organiza em bolhas, mas é nas mandalas que ele floresce. Penso que não há felicidade possível dentro das bolhas onde a gente teima em permanecer para jamais precisar suportar o encontro com o outro, o diferente, o que não pensa igual, o que não viveu as mesmas experiências, o que não enxerga o mundo sob a mesma lente que nós. Dentro das bolhas, a gente finge que se protege, mas invariavelmente encontra a extinção ou o colapso daquela bolha e acaba se pegando novamente em desespero, à procura de uma nova bolha quentinha pra se alojar e se esconder do mundo que pulsa do lado de fora, alheio aos anseios de todas as bolhas.

As mandalas permitem que as bolhas se toquem, se entrelacem e, eventualmente, se dissolvam. Permitem o convívio das diferenças. Dos que pensam diferente. Dos que talvez não queiram o mesmo que nós. Dos que não crêem nas nossas mesmas crenças. E, no entanto, vivem e sustentam este mesmo planetinha que todos habitamos.

Não há muito conforto na mandala. Ao menos, não à primeira vista. Ela comporta divergências e não é muito cômodo lidar com isso. Passado algum tempo, no entanto, as pessoas sentem-se inteiramente à vontade com a ideia de uma roda que cabe todos os olhares – sob todas as lentes –, que cabe jeitos distintos de agir e de sentir, que inclui os sonhos individuais nos grandes sonhos coletivos.

Há problemas pequenos, médios, grandes e enormes nas bolhas e nas mandalas. Pode ser que não existam além das mandalas, mas ainda não conheço esse lugar (ou não-lugar). Permitir que as diferentes bolhas integrem um mesmo grande círculo me parece um caminho interessante. As conversas em roda, as ideias divergentes, os momentos em que cada um decide ceder um pouco pra que alguma coisa, de repente, ande: não há nada de muito grandioso nessas pequenas rodas que se formam em alguns cantos. Mas há pequenas mudanças, pequenas curas, pequenas conquistas de paz. Beija-flor levando água no bico pra apagar o incêndio na floresta… Quem sabe alguém gosta da ideia e eles começam a se multiplicar por aí?

A foto deste post foi feita durante o estágio realizado nas comunidades da Amorita, em Itabira, pela turma 15 do curso FHB – Formação Holística de Base, realizado pela Unipaz BH, e este texto foi inspirado nessa experiência.

Sem categoria

Faça uma cara feliz

Divulgação

Aclamado no Festival de Veneza, de onde saiu com um Leão de Ouro, o filme Coringa enfrentou duras críticas nos EUA, sob a acusação de incitação à violência e apoio aos atos criminosos que acontecem também fora das telas. A fita estreou no Brasil hoje e eu fui assistir. Não acho que incita a violência. Tampouco justifica atos injustificáveis. Mas é profundamente incômoda porque nos obriga a olhar para a violência desde a sua origem. O filme nos apresenta um vilão incomodamente humano, demasiado humano (perdoe a citação infame, Nietzche).

Mais que um palhaço assassino, o arqui-inimigo do Batman, é uma criatura profundamente atormentada. Seu riso não tem graça nem alegria. Sua vida é uma piada de péssimo gosto.

“Faça uma cara feliz.”

A frase é uma ordem dada ao palhaço, sofredor desde que se entende por gente.

“Sorria.” Ele repete a si mesmo, convencido de que deve levar adiante a ingrata missão de oferecer alegria ao mundo, ainda que se sinta frequentemente tratado com desprezo e violência.

Por algum motivo, a gargalhada neurótica, que o próprio personagem anuncia ao mundo como doença, e a insistência na alegria como obrigação imposta a quem foi proibido de compreender a própria dor, me lembrou essa positividade que tentamos nos impor, ainda que não sejamos capazes de acreditar na sua verdade.

Atormentado, entre outras coisas, por uma risada sobre qual sente que não exerce nenhum controle, o palhaço vilão não encontra escuta nem na terapia imposta pelo serviço social. Sem qualquer tipo de acolhimento para as dores que aprendeu a sufocar sob uma cara feliz, ele vê a sombra se impor à luminosidade obrigatória do sorriso de modo sarcástico.

E a sombra, quando sufocada, se impõe de forma gigantesca e violenta. O sofrimento existe, quer você queira ou não olhar pra ele. E é por isso que é melhor olhar, acolher e arrumar um lugar para alojá-lo dentro de si. Se houver espaço para as lágrimas e as caras tristes, o sorriso pode brotar da luminosidade que só se faz presente por causa da sombra. Não será necessário pintá-lo com tinta… ou com sangue.

Cultura de paz, terapias holísticas

Fique na pergunta

Para tia Lelena (in memorian) e sua filha Juliana Jayme, minha amiga e comadre, que nunca me deixou esquecer a pergunta de sua mãe

Imagem: Pixabay

Como sabeis que é má sorte?

Com essa pergunta, a minha muito sábia tia Lelena costumava acalmar o coração dos sobrinhos e dos filhos quando o chão parecia se abrir sob os nossos pés. Aflitos e ansiosos, nós geralmente queremos respostas. Mas as respostas não acalmam. Elas simplesmente fecham todas as possibilidades. As perguntas ampliam porque são abertas, plenas de possibilidades. Não sabemos se é má sorte. Tampouco sabemos se é boa sorte. Não sabemos, apenas. Todas as possibilidades estão aí. Todos os caminhos. Todas as escolhas.

E, no entanto, nós que tanto clamamos por liberdade geralmente vivemos ávidos pelas respostas fechadas, certeiras… aprisionadoras.  Queremos a certeza de que nada irá nos surpreender. De que a vida vai fluir segundo os nossos planos, sem o incômodo das intempéries. Tornamo-nos ansiosos ante a menor possibilidade de que os nossos planos se frustrem. E não nos damos conta de que o controle da vida não é simplesmente impossível. Ele é também indesejável.

A má notícia é que você está em queda livre.

A boa notícia é que não há chão.

Eu ainda não havia lido essa citação de Chogyam Trungpa quando tinha sonhos recorrentes com uma queda infinita no que parecia ser aquele túnel em que Alice despenca para a toca do coelho apressado. A ideia de impermanência era apavorante pra mim. Eu me agarrava a qualquer coisa que parecesse sólida. E descobria sempre, desolada, que “tudo o que é sólido desmancha no ar” (sim, é a segunda vez que faço referência ao título do livro de Marshall Berman neste blog…).

Esses dias me lembrei da pergunta de tia Lelena. E entendi que ela era muito mais sábia do que eu podia supor. Nos inúmeros caminhos que tomei ao longo desses 45 anos, uma vez fui estudar filosofia. Comecei uma pós-graduação na UFMG, mas não concluí. Daqueles seis meses de curso, ficou apenas a certeza de que os maiores filósofos eram as crianças, capazes de olhar para o universo inteiro com um grande olhar perguntador e nenhuma certeza. A maternidade, que só fui viver bastante tempo depois, confirmou a minha suspeita. As crianças são mesmo muito mais sábias que todas essas pessoas grandes cheias de repostas.

– Como sabeis que é má sorte?

Como sabeis que tudo já está pronto? Como sabeis que não há nada além dessa solidez que tu podes tocar? Como sabeis que não há esperança?

O livro mais encantador que estou lendo – costumo ler mais de dois ou três ao mesmo tempo e por isso demoro a terminar…rs – chama-se O poder de uma pergunta aberta, de Elizabeth Mattis-Namgyel (Editora Lúcida Letra). Me deu vontade de citar um trechinho dele:

A vida é abudante. De fato, a vida é tão comovente, curiosa, triste, excitante, assustadora e agridoce que às vezes chega a ser insuportável. Mas, como seres humanos, precisamos nos perguntar: ‘Devemos rejeitar a abundância da vida?’. Rejeitar ou não rejeitar – estar aberto –, eis a questão. E esse tipo de questionamento nos leva ao coração da investigação pessoal e nos ensina a acolher plenamente nossa humanidade.

E essa abundância da vida, tão mais farta e ampla que todos os conceitos e espaços em que tentamos encaixotá-la, me leva também às Barras de Access, uma das técnicas terapêuticas que utilizo em meus atendimentos. Quando corremos as barras, a gente também não se preocupa com as respostas, mas frequentemente focamos apenas numa pergunta aberta:

– O que mais é possível que eu ainda não considerei?

Terapias

A flor de lótus e o cogumelo

Foto: Júlio César Rezende

Aos 14 anos eu pensei em fazer a minha primeira tatuagem. Um cogumelo colorido, no tornozelo. São José das Noções, protetor da reputação das adolescentes maluquinhas, me fez tremer de medo da agulha ao ver a criatura que estava sendo tatuada na kombi, onde eu pretendia me desenhar com aquilo que se parecia um pouco com a casinha dos Smurfs, e eu acabei chegando aos 44 com a pele virgem.

Ano passado, 30 anos depois desse episódio da kombi, numa sangria de escambar todos os móveis e enfeites que não combinavam com o novo novo apê, acabei trocando um espelho com moldura de mosaicos pela minha primeira – e até hoje única – tatoo. Confesso que a atitude não foi muito menos impulsiva do que teria sido naquele primeiro episódio, já que a minha intenção inicial era trocar o espelho por um botijão de gás. O desenho, no entanto, mais que certeiro era premonitório. A flor de lótus, nascendo na ponta de um emaranhado unalome, delicadamente desenhada pela agulha de Mari Tallarico, era a primeira contração do parto de uma cria gestada por muitos anos debaixo da lama.

Toda vida de gente é meio parecida, de modo que quase todo mundo que ultrapassa os 40 tem uma boa noção do que é se debater num rio enlameado com a clara sensação de que a qualquer momento será tragado por uma correnteza e nunca conseguirá voltar à superfície. E é nesse embate louco que a gente geralmente adquire a força necessária pra seguir nadando, mesmo contra a correnteza, e mantendo a cabeça pra fora da água. Inclusive porque encontra milhões de braços pra nos acolher pelo caminho (gratidão eterna a todos os amigos de todas as fases da vida!).

Mas foi durante a minha formação em AIM – Abordagem Integrada da Mente, com o psiquiatra e neurocientista Diogo Lara, que eu realizei o movimento inverso. Aceitei um convite para mergulhar profunda e rapidamente no rio enlameado em cuja superfície sempre me esforcei pra ficar. Mais que isso: fui convidada a tocar o fundo desse rio. “Se você toca o fundo do rio, toma impulso para subir”, Diogo disse. E eu acreditei. Que bom que acreditei.

Perdi o medo do rio, dos mergulhos e da lama. Minha flor de lótus interna é ainda um botão, mas já se vê que terá pétalas muito viçosas e vida longa. Aprendi a fazer os mergulhos necessários pra entender que o unalome é indispensável à flor. Sem percorrer o caminho emaranhado que lhe dá sustentação, minha flor de lótus não teria força pra emergir no meio da lama. “Acolha tudo. Acolha esse medo. Acolha essa raiva”, era a voz suave da terapeuta Daniela Franzen, que estava como assistente de Diogo Lara. Ao final, tudo estava leve. Não havia mais medo. Não havia mais raiva. Energia estável. Tranquilidade.

Meu unalome tem muito mais emaranhados que esse desenho lindo feito pela Mari nas minhas costas. E eu entendo que ainda há mergulhos por serem feitos. Sem medo. Se existe amparo e acolhimento para as emoções, tudo bem que elas brotem. Tudo bem que derramem até que se estabilizem. Tudo bem que haja lama, quando a gente passa a ter a certeza de que uma flor de lótus uma hora há de brotar por cima dessa lama, com a energia suficientemente estável pra que gente não tema mais se afogar.

Em tempo: o medo de agulhas me salvou de ter uma réplica da casinha da Smurfete impressa no tornozelo direito. Até que ele cumpriu bem o seu papel, né? 😉

  • CLIQUE AQUI para saber mais sobre AIM – Abordagem Integrada da Mente
Cultura de paz

Ser leve precisa ser uma escolha… leve

Imagem: Pixabay

“Eu não aguento mais! Eu juro que estou tentando ser uma pessoa leve! Eu acordo às 5h pra meditar, saio às 5h40 pra fazer ginástica, faço cursos de Disciplina Positiva pra tentar lidar da melhor maneira possível com aqueles capirotos que tenho lá em casa e juro por tudo que há neste mundo que tenho me empenhado como poucos para implementar todas as regras da CNV – Comunicação Não-Violenta em todos os lugares onde sou obrigada a estar. Mas eu não aguento mais!”

Eu ouvi o relato daquela moça. Ela realmente queria uma vida mais tranquila. E estava se empenhando como poucos. Ela havia escolhido ser leve.

_ O que é ser leve?

_ …

Não sei. É estar sempre tranquila, não me preocupar tanto com as coisas. É não me irritar tanto quando não consigo atender às demandas do meu chefe, da casa, das crianças…

Não sei. Acho que não sei o que é ser leve.

_ Você gostaria de não se irritar, mas se sente sobrecarregada, é isso?

_ Sim. Eu sempre levo trabalho pra casa. Depois que as crianças dormem, muitas vezes fico até 1h, 1h30 da manhã trabalhando. E às vezes depois disso ainda cuido de preparar minha marmita com comidas saudáveis pra garantir que não me contamine muito.

_ E acorda às 5h pra meditar e ir à ginástica?

_ Sim… Tenho feito isso.

Ela estava exausta. Custara a encaixar na sua rotina as atividades que acreditava que lhe trariam leveza. Não relaxava nunca porque seus horários eram milimetricamente cronometrados pra que ela conseguisse fazer tudo o que se propusera. E a primeira pergunta que havia me feito era se podia deixar o celular ligado durante a sessão de Reiki porque o chefe poderia ligar. O Reiki também era uma tentativa de tornar-se leve, eu entendi.

_ Você já encerrou o expediente hoje?

_ Sim.

_ Eu não acho uma boa ideia deixar o celular ligado.

_ Ok.

Ela consentiu, um pouco contrariada. Demorou meia hora pra permitir que seu corpo relaxasse um pouco.

Ser leve era uma escolha pesada na vida corrida e atribulada daquela moça. E ela estava a beira de um colapso.

A Disciplina Positiva é uma boa ideia para se contrapor à educação verticalizada que conhecemos. Os preceitos da CNV podem ajudar bastante na comunicação com as pessoas e eu não tenho a menor dúvida de que a meditação é um caminho precioso na vida de qualquer ser humano. Mas a escolha por uma vida leve precisa, ela mesma, ser leve.

Existe uma sabedoria que antecede as elaborações e as regras. Seu corpo pede pra continuar dormindo se você trabalhou por quase 18 horas no dia anterior. Acordar às 5h pra meditar num dia como esse talvez não seja uma boa ideia. E se você está exausta diante de uma criança que berra – talvez porque também esteja exausta –, é possível que silenciar e acalmar o seu próprio coração antes de decidir o que fazer lhe dê pistas melhores do que tentar recordar, sob os gritos do filho, todos os preceitos do livro de Disciplina Positiva que você terminou de ler no mês passado.

Com o celular desligado e uma música suave, a moça recebeu o Reiki e saiu do espaço de atendimento com um semblante mais tranquilo. Desejei, do fundo do meu coração, que ela iniciasse seu terceiro turno com menos preocupações.

Interromper a rotina, no meio do dia para receber Reiki, ou uma massagem, pode ser um bálsamo para seguir mais leve. Mas é preciso desligar o celular. E é preciso desligar também esse encadeamento incessante de pensamentos, que está constantemente criando realidades e formando conceitos sobre absolutamente tudo e todos. Parar, somente. E aos poucos ir aprendendo a parar mesmo durante o dia.

“É difícil ser leve”, a moça afirmou.

Não devia ser, mas é. Aprendemos a carregar tanto peso, tanta bagagem, tanto conhecimento… Sim, é difícil deixar essas malas pesadas e se permitir voar um pouco. Mas é uma boa coisa. Palavra de quem carrega duas mil malas lotadas de pedra e tijolo, mas sente-se bastante feliz quando, no meio do dia, solta cada uma delas e diz: vou ali voar um pouco dentro do meu silêncio. E que já anda descobrindo que esse lugar de silêncio é o melhor lugar do mundo.

terapias holísticas

Crise de cura

Imagem: Pixabay

O que negas, te subordina. O que aceitas, te transforma.

(Carl Gustav Jung)

“Tive uma noite dificílima depois da sessão de Reiki. Me arrependi de ter vindo aqui na semana passada.” O relato era da minha cliente. “Ando chorando a toa desde que estive aqui. Não durmo bem. Todos haviam me dito que o Reiki melhorava o sono e diminuía a ansiedade. Foi por isso que vim.”

Perguntei a ela há quanto tempo não chorava antes daqueles dias. “Não me lembro. Muito tempo.” Era preciso explicar-lhe como funciona uma crise de cura. Quando se varre a poeira pra debaixo do tapete, não é muito cômodo decidir fazer uma faxina. Às vezes a poeira chega a desencadear uma crise de asma. Não é que a poeira não estivesse ali. É que antes não se via.

Rosângela sofria de ansiedade, se irritava facilmente com as pessoas e chegou ao espaço terapêutico pensando em deixar, a um só tempo, o marido e o emprego. Mas, conforme me relatava naquele segundo encontro, não era alguém que se debulhasse em lágrimas como vinha fazendo nos últimos dias.

Ela se definia como uma pessoa forte, decidida e de gênio indomável. Brigava por seus direitos e por qualquer coisa que considerasse errada no mundo. Dormia mal, era vista pela família como excessivamente controladora e não tinha muita paciência para arroubos emotivos.

“Você era uma criança segura e forte?”, perguntei.

“Não. A vida me tornou forte. Eu era uma criança tola, chorona. Uma menina que não sabia brigar e vivia querendo pacificar o que não podia ser pacificado.”

Há tantas coisas que não conseguimos pacificar. Não porque não é possível, mas porque nem sempre temos recursos para isso. Tantas guerras que gostaríamos de impedir. Tantas brigas que gostaríamos de não ver. Tanta violência que desejaríamos ter impedido.

Não sei quais eram as guerras que Rosângela gostaria de ter pacificado. Sei, no entanto, que represá-las não impediu que essas guerras seguissem lhe tirando o sono e a paz pelos tempos vindouros. Não impediu que, de tempos em tempos, seus canhões estourassem dentro do peito da mulher, agora forte.

Ela estava irritada com o Reiki. No lugar dela, eu também estaria. Afinal, tudo o que ela havia amassado e apertado pra esconder em gavetas que não revelassem toda a fragilidade que lhe parecia tão má, de repente resolvera escorrer pelos olhos sem nenhum pudor.

O que ela nem imaginava é que as lágrimas que não haviam lhe dado sossego durante uma semana eram o antídoto para a dor que, em algum momento, ela não poderia mais suportar. Não se pode controlar uma dor com analgésicos a vida inteira. É preciso vivê-la, entender sua origem, olhar nos olhos dela e, só então, dizer que ela pode ir.

Minha cliente acabava de olhar nos olhos da sua própria dor. Acabava de entrar em contato com a menina que gostaria de pacificar o mundo e sentira-se incapaz. Acabava de entender que podia pacificar o seu próprio mundo. Não nos vimos muitas vezes depois daquele dia. Mas ela me mandou uma mensagem para contar que finalmente dormia melhor, que decidira dar uma nova chance ao emprego e também ao marido. E que, qualquer dia desses, gostaria de passar no espaço terapêutico porque achava que o Reiki era mesmo muito relaxante.

terapias holísticas

Flexibilidade que cura

Imagem: Pixabay

“O Reiki é flexível como bambu.”

A frase, repetida diversas vezes pelo mestre que me iniciou nos três níveis do Reiki – e também no mestrado –, me encantou de saída. Sempre me encantaram os corpos, os caminhos e as ideias flexíveis. Adaptar-me a quaisquer circunstâncias que a vida apresente, tal e qual a água, que toma a forma do copo ou da jarra, para depois se revelar livre e fluida e se derramar onde quer que caia, é uma espécie de meta pra quem sempre acha um jeito de incluir Rock Water – o remédio de Dr. Bach, dedicado às pessoas rígidas – em todas as suas formulações florais.

A flexibilidade do método criado pelo japonês Mikao Usui é um bálsamo para a minha própria rigidez. É a cura pros meus torcicolos, dores de cabeça tensionais e ideias fixas. A energia do Reiki sabe por onde deve seguir. Permitir que ela flua por meio de mim para os corpos dos meus clientes é um percurso mágico, que cura a mim mesma enquanto trata do outro. Há um script. Sempre há. Mas ele muitas vezes se perde no exato momento em que minhas mãos tocam o corpo do outro e sentem o Byosen. A energia encontra o seu próprio script.

O Reiki aceita cromoterapia, aromaterapia, manobras de shiatsu, florais de Bach… Aceita crenças e não crenças. “O Reiki é flexível como bambu.” Para algumas pessoas, receber Reiki é fonte de um relaxamento profundo. Pra outras, é um percurso de transformação. Pra mim, é um caminho de cura. E é por isso que resolvi falar dele hoje.

O aval da ciência

Incluído desde 2017 entre os procedimentos cobertos pelo SUS, o Reiki promove o relaxamento, diminui o stress psicológico e atenua dores inclusive em pacientes de câncer. Um estudo realizado pelo psicobiólogo Ricardo Monezi, da Universidade Federal de São Paulo, mostrou que a terapia ajuda também a combater o tumor. Ele aplicou o Reiki em ratos e, na sequência, analisou suas células de defesa. “Em comparação com o grupo de controle, esses animais apresentaram um sistema imune mais agressivo contra a enfermidade. E nem precisamos falar que bichos não acreditam em Reiki.” (Para saber mais sobre essa e outras pesquisas, clique aqui)

Cultura de paz

O Lama e o Economista*

Foto: Divulgação/CEBB

Redes compassivas como caminho para tempos difíceis. Esse é o tema da palestra que o Lama Padma Samten, do Centro de Estudos Budistas Bodisatva, vai realizar em Belo Horizonte no fim deste mês. Olhei pra esse tema e me lembrei da primeira vez que o ouvi afirmar que “a base que sustenta o mundo não é a economia, mas a compaixão”. Confesso que essa fala me causou estranhamento e até um certo incômodo. Como assim? Não é a economia que gira tudo? Não é ela quem determina os que sobrevivem e os que sucumbem nesta roda sustentada pelo capital?

Em ocasiões distintas, nos muitos vídeos que já assisti em seu canal no Youtube, tornei a ouvir essa fala dele outras vezes. A cada vez, ela parecia fazer mais sentido. Redes compassivas de fato nos sustentam, especialmente em tempos de crise. E, se aprendermos a organizá-las melhor, veremos que nossa preocupação com os seres é capaz de garantir a sobrevivência de cada um de nós. Estou convencida disso.

O livro mais recente do Dalai Lama, dedicado aos jovens e intitulado Façam a revolução, diz alguma coisa parecida com isso (leia mais aqui). O que de fato pode nos salvar é essa união em benefício de todos. Não sei se é exatamente disso que o Lama vai falar. Não perguntei a ele (rs). Mas estou aqui fazendo conjecturas acerca do tema da palestra a que gostaria imensamente de assistir.

O Lama Samten vai oferecer também um mini-curso com um tema que também cai como um bálsamo nas feridas abertas por estes nossos tempos: Lucidez – Transformando confusão em sabedoria. Porque vamos combinar que confusão é o que não anda faltando neste nosso dia-a-dia, não é mesmo? E desconfio que sabedoria pode ser a chave pra lidar melhor com essa roda que parece girar e nos deixar sempre mais e mais perdidos.

Vou deixar aí embaixo os dados sobre os dois eventos com o Lama Samten porque as inscrições já estão abertas e se alguém quiser participar acho que é melhor se apressar pra garantir uma vaga. Se você também ainda não se convenceu de que a compaixão é uma base de sustentação muito mais sólida do que a economia, sugiro que você dê um pulo pelo menos na palestra. Eu não sou muito boa para explicar, mas pode ser que ouvi-lo falar e conhecer outras pessoas interessadas em criar redes que beneficiem um número maior de seres faça os seus níveis de esperança e vontade de mudar aumentarem um pouco. Ou muito. Enfim, eu acho que vale.

Palestra

Redes compassivas como caminho para tempos difíceis

Sábado, 30 de março às 20h
Teatro Santo Agostinho, Rua dos Aimorés, 2679 – Santo Agostinho – Belo Horizonte
Contribuição sugerida: R$ 30

Curso

Lucidez – Transformando confusão em sabedoria

Sábado, 30 de março de 14h às 17h
Domingo, 31 de março de 9h às 12h
Hotel Boulevard Plaza, Av. Getúlio Vargas, 1640, Salão Villa Lobos – Savassi, Belo Horizonte
Contribuição sugerida: R$ 160

CLIQUE AQUI para fazer sua inscrição.

* “O Lama e o Economista” é um título que peguei emprestado de um livro do próprio Lama Samten

Cultura de paz

A carta do chefe Seattle

Imagem por SarahRichterArt na Pixabay

Pensei em escrever um texto para dizer o que ando sentindo em relação à maneira como a gente trata este planetinha. Mas nada do que eu escrevesse diria mais do que a carta do cacique Seattle. Se você já leu, talvez queira reler. Se não conhece, acho que vale a pena. Então é isso. Vou só reproduzir a carta mesmo. E torcer para que a gente possa resgatar um pouco do “selvagem” que espero que exista dentro de cada um de nós.

Pra contextualizar um pouco, vale dizer que essa carta foi escrita em 1855, pelo cacique Seattle, da tribo Suquamish, do estado de Washington, nos EUA, ao então presidente daquele país, Francis Pierce, logo depois de o governo dar a entender que gostaria de comprar o território ocupado pelos índios. Faz mais de um século e meio, portanto. Segue a carta:

O grande chefe de Washington mandou dizer que quer comprar a nossa terra. O grande chefe assegurou-nos também da sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não necessita da nossa amizade. Nós vamos pensar na sua oferta, pois sabemos que, se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará a nossa terra. O grande chefe de Washington pode acreditar no que o chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na mudança das estações do ano. Minha palavra é como as estrelas, elas não empalidecem.

Como pode-se comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal ideia é estranha. Nós não somos donos da pureza do ar ou do brilho da água. Como pode então comprá-los de nós? Decidimos apenas sobre as coisas do nosso tempo. Toda esta terra é sagrada para o meu povo. Cada folha reluzente, todas as praias de areia, cada véu de neblina nas florestas escuras, cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e na crença do meu povo.

Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um torrão de terra é igual ao outro. Porque ele é um estranho, que vem de noite e rouba da terra tudo quanto necessita. A terra não é sua irmã, nem sua amiga, e, depois de exauri-la, ele vai embora. Deixa para trás o túmulo de seu pai sem remorsos. Rouba a terra de seus filhos, nada respeita. Esquece os antepassados e os direitos dos filhos. Sua ganância empobrece a terra e deixa atrás de si os desertos. Suas cidades são um tormento para os olhos do homem vermelho, mas talvez seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que nada compreende.

Não se pode encontrar paz nas cidades do homem branco. Nem lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o zunir das asas dos insetos. Talvez por ser um selvagem que nada entende, o barulho das cidades é terrível para os meus ouvidos. E que espécie de vida é aquela em que o homem não pode ouvir a voz do corvo noturno ou a conversa dos sapos no brejo à noite? Um índio prefere o suave sussurro do vento sobre o espelho d’água e o próprio cheiro do vento, purificado pela chuva do meio-dia e com aroma de pinho. O ar é precioso para o homem vermelho, porque todos os seres vivos respiram o mesmo ar, animais, árvores, homens. Não parece que o homem branco se importe com o ar que respira. Como um moribundo, ele é insensível ao mau cheiro.

Se eu me decidir a aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais como se fossem seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo que possa ser de outra forma. Vi milhares de bisões apodrecendo nas pradarias abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais valioso que um bisão, que nós, peles vermelhas matamos apenas para sustentar a nossa própria vida. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem os homens morreriam de solidão espiritual, porque tudo quanto acontece aos animais pode também afetar os homens. Tudo quanto fere a terra, fere também os filhos da terra.

Os nossos filhos viram os pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo em ócio e envenenam seu corpo com alimentos adocicados e bebidas ardentes. Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias. Eles não são muitos. Mais algumas horas ou até mesmo alguns invernos e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nestas terras ou que tem vagueado em pequenos bandos pelos bosques, sobrará para chorar, sobre os túmulos, um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso.

De uma coisa sabemos, que o homem branco talvez venha a um dia descobrir: o nosso Deus é o mesmo Deus. Julga, talvez, que pode ser dono Dele da mesma maneira como deseja possuir a nossa terra. Mas não pode. Ele é Deus de todos. E quer bem da mesma maneira ao homem vermelho como ao branco. A terra é amada por Ele. Causar dano à terra é demonstrar desprezo pelo Criador. O homem branco também vai desaparecer, talvez mais depressa do que as outras raças. Continua sujando a sua própria cama e há de morrer, uma noite, sufocado nos seus próprios dejetos. Depois de abatido o último bisão e domados todos os cavalos selvagens, quando as matas misteriosas federem à gente, quando as colinas escarpadas se encherem de fios que falam, onde ficarão então os sertões? Terão acabado. E as águias? Terão ido embora. Restará dar adeus à andorinha da torre e à caça; o fim da vida e o começo pela luta pela sobrevivência.

Talvez compreendêssemos com que sonha o homem branco se soubéssemos quais as esperanças transmite a seus filhos nas longas noites de inverno, quais visões do futuro oferecem para que possam ser formados os desejos do dia de amanhã. Mas nós somos selvagens. Os sonhos do homem branco são ocultos para nós. E por serem ocultos temos que escolher o nosso próprio caminho. Se consentirmos na venda é para garantir as reservas que nos prometeste. Lá talvez possamos viver os nossos últimos dias como desejamos. Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará a viver nestas florestas e praias, porque nós as amamos como um recém-nascido ama o bater do coração de sua mãe. Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Protege-a como nós a protegíamos. Nunca esqueça como era a terra quando dela tomou posse. E com toda a sua força, o seu poder, e todo o seu coração, conserva-a para os seus filhos, e ama-a como Deus nos ama a todos. Uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus. Esta terra é querida por Ele. Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum.

Cultura de paz, mindfullness

De onde vim, pra onde vou?

Mamãe, de onde surgiu o mundo?

– Da grande explosão de um único átomo. Chamou-se Big Bang.

– Então, nós, as plantas, os animais e as coisas viemos todos de um único átomo?

– Viemos. Todos.

Minha pequena filha silenciou. Estava tão atônita quanto qualquer um de nós deveria estar depois de uma constatação dessas. E todos nós, que em algum momento tivemos contato com a Teoria Atômica, sabemos disso. E, no entanto, nos esquecemos. Para vivermos o dia-a-dia, acolhidos pelas certezas absolutas das nossas próprias bolhas, perdemos a visão do todo. Nos esquecemos de que “somos todos um” não é um slogan hiponga. É uma constatação científica. Eu, você, o cachorro que está na sua sala, o gato que vai morrer atropelado na sua rua, a árvore na frente na sua casa e aquele vizinho que você odeia viemos todos, todinhos, de um único átomo. Era nisso que minha filha estava pensando quando silenciou.

– E no que isso vai dar?

A segunda pergunta dela era mais difícil. O universo continua em expansão desde aquela primeira explosão que iniciou a confusão, né? Então a ideia é que vamos continuar nos espalhando até não sobrar muito mais que uma poeirinha. Fiquei pensando se isso seria muito dramático para contar a uma menina de 10 anos. Mas ela achou que não.

– Vai ficar só um vazio então, né?

– É, um vazio. Um imenso e alentador vazio. Calmo. Sereno. Acho que não vai rolar nem mesmo uma poeirinha depois que essa coisa toda se espalhar infinitamente pelo espaço – arrisquei, sem a menor convicção de que estivesse sendo muito científica.

– Ô, mãe. Me explica aqui: se a gente saiu todo mundo do mesmo átomo e no final vai se misturar na mesma poeira cósmica, por que é que, nesse intervalo, em vez de simplesmente curtir, o povo inventa de criar tanto problema, hein?

Aí, quem silenciou fui eu.

Não sei bem se é Índigo, Cristal ou Arco-Íris que fala não… Só sei que acredito neles pra salvar o que ainda existe de mundo antes de a gente virar a tal da poeirinha cósmica.

Cultura de paz, mindfullness

Lobo-lo-bo-lo-bo-lo

Foto: Pixabay

Tem um livro infantil de que eu gosto muito. É um livro de Chico Buarque chamado Chapeuzinho Amarelo. Conta de uma menina que morria de medo do lobo, mas um dia entendeu que lobo, dito assim bem rápido, acabava virando bolo e não metia mais medo em ninguém. Não sei escrever com a poesia do Chico, então estou aqui cometendo a infâmia de resumir a obra desse jeito tosco. Mas acho que todo mundo devia ler o original e presentear às crianças queridas.

Pois bem, estou aqui falando desse livro porque acho que é uma extrema sabedoria que a gente consiga olhar bem de perto pras nossas emoções, até perceber o momento em que elas surgem… porque é exatamente ali que elas desaparecem. As crianças compreendem isso com uma sabedoria admirável. Basta ver as reações que têm ao ouvir a história da Chapeuzinho Amarelo. Nós, adultos, damos tanta solidez aos nossos sentimentos que achamos quase impossível vê-los se dissolverem.

Acordei com o coração meio apertado e uma sensação de ansiedade um tanto inexplicável. Me irritei com o barulho do telefone tocando e já ia pedir que não me dessem bom dia quando me lembrei do livro da Chapeuzinho Amarelo. De onde viria esse sininho de irritação que poderia tocar durante o dia inteiro, azedando todos os meus contatos a partir daquela manhã? Decidi ver se o meu lobo também seria capaz de ser convertido em lobo.

Pedi licença por 20 minutos porque precisava de um pouco de silêncio para espreitar as minhas emoções. De onde vinha aquele aperto no peito tão logo eu me levantara da cama? Eu tinha dormido bem… Silenciei e comecei a perguntar à minha irritação em que momento ela tinha aparecido. Eu havia despertado sem despertador. Não era o barulho do relógio, portanto. Também não eram os vizinhos, que geralmente faziam barulho à noite, mas não pela manhã.

Continuei olhando para aquela irritação, que parecia ter surgido antes mesmo do dia raiar e eu me levantar. Eu havia acordado cerca de duas horas antes de finalmente me levantar e ficara fritando na cama até um horário em que considerei razoável abrir os olhos para finalmente iniciar o dia. Mas por quê?

Na noite anterior, eu tinha trabalhado até tarde e não tinha conseguido terminar minhas tarefas. Dormi pensando no que tinha para fazer. Ao acordar, tinha clareza de que havia tempo para fazer tudo o que era preciso, mas a ansiedade de quem não tinha terminado suas tarefas ainda estava ali.

Olhei pr ‘aquilo e entendi que não havia motivo para me irritar. Nem para estar ansiosa. O dia anterior já tinha terminado. Eu não havia concluído o que havia me proposto e já havia resolvido que estava tudo bem com isso. Tanto que dormi. Agora estava acordada e poderia concluir o que precisava ser feito. Mas não antes de um café. O lobo tinha virado bolo.

Retornei do silêncio e sorri para os meus. “Bom dia, pessoal. Obrigada por me permitirem esse silêncio. Eu estava ocupada em transformar um lobo em bolo.” Ninguém entendeu nada. Mas eu ri. E pensei que devíamos nos ocupar mais de transformar nossos lobos em bolos.

Cultura de paz

2019: façamos a revolução

Foto: Pixabay

E 2018 chegou aos finalmentes. Passei no Mercado Central de Belo Horizonte esta semana e até desisti de fazer as compras porque não conseguia nenhuma vaga no estacionamento. O povo devia estar comprando castanhas, romãs, peixes, incensos, lentilhas, banhos de rosas e talvez flores para as oferendas. Todo mundo pensando num jeito de pedir boas vibrações pra 2019. E é isso mesmo que a gente deseja a cada virada de ano, não é? Que o próximo seja melhor, mais suave, mais próspero, mais alegre, mais saudável, mais pacífico e mais amoroso.

Eu gosto de uma taça de espumante à meia-noite e gosto de abraços do meu companheiro e das minhas filhas, que quase sempre dormem, mas este ano prometeram fazer uma cabaninha na sala pra surpreender o Ano Novo antes que ele apareça (tentaram fazer isso com o Papai Noel, mas o bom velhinho foi mais esperto do que elas e deixou os presentinhos na árvores sem que elas percebessem).

Gosto dos ritos de passagem. Acho que podem ser simbólicos das mudanças que queremos fazer em nós mesmos. Porque entendo que, de verdade, a única coisa que podemos mudar, em 2018, 2019 ou 2029, é a nossa própria mente. Podemos mudar o modo como vemos as coisas. Podemos mudar a forma como reagimos às paisagens que nos aparecem. E podemos mudar a maneira como lidamos com esse mundo que tanto nos encanta quanto nos assusta.

No Natal, eu ganhei alguns presentes e um deles foi o livro mais recente do Dalai Lama. Chama-se “Façam a revolução” e é dedicado aos jovens. Apenas comecei a ler, mas já sei o suficiente para lhes garantir que Sua Santidade, o 14º Dalai Lama, não propõe que a garotada se arme de canhões e fuzis para tomar o poder seja lá de que nação for. Por favor, não é isso!

A revolução que o mestre budista propõe aos jovens é baseada na compaixão. Ele acredita que apenas a compaixão que sentimos pelos seres é capaz de salvar este nosso planetinha azul. É por compaixão com quem vem depois que a gente decide economizar a água ou parar de maltratar o solo. É por compaixão com quem estará aqui depois que formos embora, que a gente resolve preservar mais e destruir menos. É por compaixão com quem está ao nosso lado que a gente às vezes decide tranquilizar a própria mente e relaxar um pouco mais, agindo menos por impulso e mais por amor.

Eu disse que não faria listas na virada do ano. Vou tentar cumprir a promessa. Mas gostaria de me propor – e a quem mais achar que isso pode ser uma boa ideia – um desafio para este ano vindouro: a proposta de ser mais compassiva, de olhar menos pras minhas próprias questões e um pouco mais pra amplitude dos problemas que envolvem os outros seres. Queria também propor a mim mesma um pouco menos de palavras intempestivas e um pouco mais de silêncio.

Como todo o resto dos textos deste site, aqui também temos apenas um caminho a ser construído. Não sei o quanto desses projetos será possível cumprir. Não sei, sequer, se são bons projetos. Mas intuo que sim. E gostaria de tentar. Meus desejos pra 2019, deste modo, são um pouco mais de compaixão e um pouco menos de intempestividade. E o que for possível de silêncio e quietude pra acalmar a alma e embasar as ações.

A cada um de vocês eu desejo que 2019 seja um ano de caminhos serenos e alegrias compartilhadas. Desejo que sigamos caminhando juntos e que possamos contar uns com os outros.

aromaterapia

O mundo mágico dos aromas

Foto: Pixabay

Grinchs do meu coração, estou aqui pensando em como o fim de ano é um período particularmente estressante… Mas estou pensando também em como as coisas tornam-se mais fáceis quando a gente dispõe de alguns recursos pra lidar com o estresse. Acho que este ano está um pouco mais fácil que o ano passado. Entre os recursos que descobri mais recentemente – e que tem funcionado como um pronto-socorro físico e emocional neste fim de ano – está a minha maravilhosa caixa de cheirinhos.

Tenho a sensação de que a aromaterapia descortinou um novo universo pra mim. Ontem eu estava particularmente agitada, com muitos pensamentos recorrentes, quando o moço do correio tocou o interfone e avisou que tinha uma caixa pra mim. Era a caixa da dōTERRA e, além alguns óleos maravilhosos que eu havia encomendado, lá estava o meu Difusor Petal.

Decidi difundir duas gotas do óleo de olíbano (Franckincense), enquanto assistia a um vídeo que há meses vinha procrastinando para assistir. Foram duas horas de difusão – a gente programa esse tempo no difusor – para duas horas do vídeo. Ao final, a agitação tinha ido embora e – bingo! – eu tinha conseguido prestar atenção a todo o conteúdo do vídeo. A difusão do óleo, ao mesmo tempo, me acalmou e me deu foco.

Tenho tido várias dessas surpresas com os óleos essenciais. O melasma que tenho no rosto vem clareando de forma impressionante e rápida – vou esperar mais um pouco pra mostrar a todo mundo o antes e depois -, meu sono com óleo de lavanda é infinitamente mais reparador do que antes da aromaterapia, minha digestão está melhor… Cada dia descubro mais benefícios dentro desses vidrinhos de óleo!

Mudança de vida

Uma das coisas legais que encontrei na dōTERRA, além da incontestável qualidade dos óleos – alguns produtos vendidos como óleos essenciais são, na verdade, essências ou óleos já diluídos -, foi justamente essa possibilidade de, já no cadastro, comprar um kit com 10 óleos pelo valor de atacado. Ter a possibilidade de fazer as suas próprias sinergias e utilizar os óleos para as suas diversas necessidades é bem mais interessante do que testar apenas um vidrinho de um óleo essencial específico. E financeiramente também compensa mais.

De repente, a gente descobre que óleo essencial vira desodorante, vira creme pra pele, vira desodorizador de vaso sanitário, vira remédio pra dor de cabeça, pra dor de barriga, pra dores musculares… Vira um modo de vida muito mais saudável e absolutamente delicioso. Porque a sua casa vai ter cheirinhos que você nunca mais vai querer abandonar.

Eu queria dividir isso com vocês porque esses óleos realmente têm feito muita diferença na minha vida. Quem quiser experimentar pode se cadastrar, pedir o kit inicial pelo preço de atacado e viver essa pequena revolução no seu dia a dia. Ao se cadastrar e me comunicar, você já ganha o direito de ser inserido ou inserida em um grupo de whatsapp onde todas as suas dúvidas sobre utilização, sinergias e dezenas de receitinhas poderão ser solicitadas. E você poderá comprar os óleos, para seu consumo e de sua família, sempre que tiver vontade, pelo valor de atacado.

  • CLIQUE AQUI se você quer adquirir óleos essenciais para seu consumo ou se quer tornar a aromaterapia o seu negócio.

Cultura de paz

O fim de ano e as listas

Foto: Divulgação/Illumination

Recém-saída da sala de cinema onde fui assistir o Grinch – e sentindo uma leve identificação com o monstrinho verde que odeia o Natal e que todas as crianças do mundo têm certeza de que é um vilão (os adultos, nesse caso, são mais empáticos) –, recebi uma dessas mensagens que piscam no celular com notícias – eu nem sempre me lembro de ter me inscrito em tantos canais, sites e blogs (mas, por favor, inscrevam-se no meu!!! 😊) – cuja manchete dizia assim: “Depressão e ansiedade podem aumentar no fim de ano; saiba como lidar”. Pensei: – Meu Deus, os algoritmos do Google descobriram que vim assistir o Grinch e, o que é pior, sacaram que eu consegui entender o ponto de vista do vilãozinho criado por Dr. Seuss.

Eu tenho tentado mudar, mas durante muitos anos tive uma obsessão por listas. Mais que escrevê-las, eu tinha prazer em ticá-las:

. Ir ao dentista

. Comprar pasta de dente

. Pagar as contas que vencem no dia 5

. Pagar as contas que vencem no dia 10

A cada tique, eu me sentia menos devedora. Me sentia menos imperfeita. Mesmo que a pasta de dente fosse acabar e as contas fossem todas voltar a vencer no próximo mês. Às vezes penso que todas essas pessoas que, como eu, tiveram uma instantânea empatia pelo Grinch – somos muitos, acredite! – também devem ter obsessão por listas. Acho, inclusive, mais plausível do que a hipótese de que todas elas tenham sido abandonadas sozinhas na festa de Natal do orfanato como o bichinho do filme.

O problema das listas é que nem sempre conseguimos ticá-las. E quem faz listas de ano novo corre um risco ainda maior de chegar ao 31 de dezembro com um desempenho bem abaixo da média. Às vezes eu acho que a depressão de dezembro começa nos desejos de janeiro. É que a pessoa bota no papel:

. Casar

. Comprar um carro

. Conseguir o cargo de supervisor

. Passar o próximo ano novo em Paris

Aí ela passa o ano inteiro ticando as listas de contas a pagar, do supermercado do mês… E no meio do caminho o noivado se rompe, o cargo de supervisor vai pro outro colega, a pessoa é demitida! Mas todo mundo segue porque a vida é desse jeitinho mesmo, impermanente e imprevisível. Cada um se vira como pode, arruma outro trampo, inventa outras coisas e, aos trancos, continua ticando as listinhas do mês, às vezes até com louvor.

Aí chega dezembro. Ah, dezembro! E a gente resolve se lembrar da bendita lista de janeiro. Descobre que o casamento que ia ser não foi, que o cargo de supervisor virou desemprego, que o carro velho talvez nem esteja mais na garagem e que, pro ano novo, vai rolar no máximo um arroz com lentilha igual ao do ano passado mesmo. Em vez de rir um pouco dos planos que tinha feito e perceber que esse negócio de projetar a vida só serve pra descobrir que ninguém tem controle de nada, a gente começa a ver pelinhos verdes brotarem pelo corpo inteiro e se transforma no Grinch.

A matéria que piscou no meu celular quando saí do cinema tinha uma lista de procedimentos para ajudar a lidar com a depressão e a ansiedade do fim de ano. Resolvi não ler. Decidi fazer as pazes com o Grinch e o Papai Noel ao mesmo tempo.

Minha lista de 2018 eu perdi. Melhor pra mim. Acho que não conseguiria ticar nenhum item dela, se minha falha memória não estiver me traindo mais que o habitual. E estou bastante disposta a ingressar num 2019 sem listas, sem planos, sem grandes e importantes decisões de ano novo. Quero caminhar, apenas. Com disposição, com alegria e com vontade de tornar cada dia, cada lugar e cada encontro – inclusive comigo mesma – um pouco melhor. Muito melhor. O quanto for possível melhorar.

2019 vai nos atropelar. A vida sempre nos atropela. Se pudermos listar menos projetos e nos dedicar de forma mais intensa a cada momento, de ação e de fala ou de silêncio e repouso, talvez consigamos chegar ao próximo dezembro mais leves. De bem com os nossos pelinhos verdes e talvez achando até uma certa graça deles.

Cultura de paz, mindfullness

Ontem, amanhã e… hoje

Foto: Álbum de família

A foto do álbum dos meus 15 anos, que minha mãe resolveu tirar da gaveta agora, quase às vésperas dos meus 45, me trouxe um monte de lembranças. Botei a imagem no Facebook pra lembrar a mim mesma da menina de nariz arrebitado e olhar de Capitu que eu havia me esquecido de um dia ter sido. Será que fui? Quanto será que a gente fantasia das próprias memórias? Quanto será que a gente sonha o passado do mesmo jeitinho que sonha o futuro? E onde é que fica o presente, esmagado entre esse passado romanceado e um futuro sempre incerto?

A menina do nariz arrebitado não existe mais. A mulher com quem me lembro de ela ter sonhado também não existe. Nunca existiu. Mas a menina sonhou muito com essa mulher que que saía por mil estradas dirigindo um carro conversível, com o cabelo ao vento e o violão no banco do carona. Talvez houvesse espaço pra um filho loirinho, chamado Gabriel, segurando esse violão no banco do carona.

Não sei dizer como era o presente daquela menina. Sei dela nas minhas memórias. Não sei se havia presente ou apenas um monte de futuro enganchado num tanto de passado (sim, a gente já tem passado aos 15!). E a verdade é que do presente de hoje também ainda sei pouco. Logo que acordo, me sento por 15 minutos pra entender que a única que coisa que de fato existe é o aqui e o agora. Penso no ontem, no amanhã… mas gentilmente me convido a voltar para este momento. Este. Agora mesmo. Aqui, diante do computador, escrevendo para você que, por algum motivo, parou pra ler o que eu tenho a dizer. Não agora. Em outro momento. O seu momento. O seu agora.

Lidar com o hoje é um exercício. Não sei quanto a você, mas pra mim talvez seja um dos mais difíceis que me propus a fazer. Entender que os personagens que criei para o meu futuro são apenas personagens, e que a menina de nariz arrebitado e olhos de Capitu também não é mais do que isso, não é uma tarefa simples. Requer um desapego ao qual não estou acostumada. A gente dá solidez às histórias que cria.

Nos raros momentos em que consigo olhar pra tudo isso e achar uma certa graça, no entanto, fica fácil perceber que estar no presente é muito mais confortável. Fica fácil entender que o sofrimento no presente, de modo geral, é menor porque ele é aquilo com que conseguimos lidar. De um jeito ou de outro.

A menina da foto não existe mais. É bonitinha, tem um olhar de Capitu… Mas também pode ser que tudo não passasse de uma pose para o fotógrafo. Era 1988. Hoje é 2018. Eu estou aqui, diante deste computador, falando sobre estar presente. E você está aí, lendo este texto e talvez pensando no passado… ou no futuro. Ou talvez concordando comigo que a única coisa que temos hoje é este momento que estamos vivendo exatamente agora. E que pode ser profundamente tranquilizador entender isso.

mindfullness

O silêncio e o barulho

Foto: Pixabay

Foco no agora, Dani. Atenção. Nada de passado ou futuro rondando. Aí o pensamento vai lá na agenda. “Eu tinha que ter marcado aquele atendimento. Será que não é melhor parar agora e anotar. Depois posso me esquecer…” Não, Dani. Foco no aqui. Respira. Foca na respiração. Ok. O ar entra pelas narinas. Sai um pouco mais quente do que entrou. “Por que eu me irritei daquele jeito com as meninas? Meu Deus, preciso me lembrar de pedir desculpas a elas. Não seria bom fazer isso agora?” Tá doida, Daniela? Volta, pessoa. Foco no aqui. São apenas 15 minutos. “Ok. 15 minutos.” Corpo firme, mas flexível. Calor. Respiração. Energias se equilibrando. “Que blusa eu deveria usar pra gravar aquele vídeo hoje? Tô me achando meio feia…”. Volta, Dani. “Ok. Tem alguma coisa mais equilibrada que, dentro de mim, observa toda essa confusão que surge na minha mente.”

A meditação salva os meus dias. A busca pela atenção plena é um dos caminhos mais bonitos que descobri nessa jornada que há alguns anos decidi empreender em busca de paz. No meio da confusão, eu às vezes encontro o equilíbrio. Não esvazio a mente, nem paro de pensar. Apenas solto os pensamentos, que surgem em turbilhões a cada vez que me sento. E nada é mais pacificador do que esse silêncio. Ao me levantar, descubro que o atendimento com que eu me preocupava já tinha sido marcado, peço desculpas às meninas e elas nem entendem o porquê e acho que aquela camiseta de alça está bem ok pra gravar o vídeo para o YouTube. 

Quando a gente encontra um lugar silencioso pra descansar, imóveis, todos os movimentos e as palavras que se seguem são mais suaves. O que aprendo, pouco a pouco, é que não há momento nem circunstâncias ideais. Há a gente, aqui e agora, nas condições que temos hoje. O barulho pode demorar a cessar. Pode não cessar. Então vamos silenciar com barulho mesmo… 

Cultura de paz

Eu, Dora e as azeitonas

Foto: Pixabay

Acho que fazem uns quatro ou cinco anos que “empatia” virou, definitivamente, a palavra da moda. Cumpra-se ou não o que é dito, a regra é: coloque-se no lugar do outro e tente sentir o que ele está sentindo ali. É um avanço incrível se a gente pensar que, muitas vezes, nós nem tentamos imaginar o que o outro sente. Mas, se quisermos dar um passinho adiante, vamos precisar entender que “se colocar no lugar do outro” nem sempre é suficiente. Muitas vezes não é. Por um motivo bem simples: o outro não é a gente.

Tenho que fazer uma confissão a vocês: eu detesto azeitonas. Acho amargo. Já me explicaram várias vezes que não é amargo, mas é assim que eu sinto. Minha filha Dora, a primogênita, por outro lado, ama azeitonas. Uma vez, no supermercado, perguntei que guloseima ela queria levar pra casa e ela respondeu sem pestanejar: um vidro de azeitonas. Conto esse caso pra explicar que não adianta eu me colocar no lugar da Dora quando ela está comendo um prato de azeitonas. Minha primeira reação seria sentir pena dela. Mas ela está praticamente num momento de oração diante daquele prato.

Colocar-se no lugar do outro às vezes é pouco pra melhorar as nossas relações. A gente se irrita facilmente quando convida o filho, a mãe, uma amiga ou o namorado pra um programa que a gente considera simplesmente imperdível e recebe como resposta um “vou pensar” ou “acho que hoje não”. Parece desfeita. Tem gente que chega a ficar com raiva. Mas vale a pena pensar ao menos na possibilidade de não ser nada pessoal. Lembre-se das azeitonas da Dora… ela poderia, de bom grado, me dar um vidro de 500 gramas, acreditando que esse seria o melhor presente do mundo!

Ninguém precisa adivinhar se o outro gosta ou não de azeitonas, se sente-se bem na sala de cinema ou prefere a arquibancada do estádio, se gosta de companhia quando está sofrendo ou acha mais confortável ficar só nesses momentos, como também não somos obrigados a saber que a palavra que a gente escolheu usar soou ofensiva à outra pessoa. A gente pode simplesmente perguntar, sem intuir que já sabe a resposta e sem constranger a outra parte a nos responder aquilo que gostaríamos de ouvir: se você me perguntar se eu gosto de azeitonas, depois de me presentear com três vidros de 1 quilo dentro de uma cesta decorada com laço de fita vermelho, é provável que eu lhe diga que amo azeitonas! (Pensando bem, depois desse texto, acho que vai ficar um pouco constrangedor…)

Eu sigo aqui, tropeçando muito, mas tenho percebido que perguntar e observar são duas coisas que nos ajudam um bocado a melhorar as relações que a gente estabelece. No que tange às relações com filhos pequenos, tem um vídeo que a Isabela Minatel gravou para o TED que eu acho precioso e, por isso mesmo, reproduzo logo abaixo deste texto. Pra trabalharmos essas e outras questões dos nossos relacionamentos, eu convido cada um de vocês a conhecer o projeto Pacificando as Relações. Vem comigo!

Cultura de paz, mindfullness

Autocontrole

Foto: Pixabay

Acabei de descobrir que existe um curso online ensinando técnicas para desenvolver o autocontrole emocional. Não comprei e, portanto, não posso dizer se é bom. Mas acho que deve ter bastante gente interessada, uma vez que quando a gente digita “autocontrole” no Google recebe uma enxurrada de artigos com dicas para controlar as próprias emoções. Durante muito tempo, eu também corri atrás dessas dicas. O problema é que, comigo, elas sempre falharam.

Teve uma época em que eu tentava contar até 10 quando tinha vontade de gritar. Depois eu aprendi a sorrir quando queria sair correndo. Já segui tantas receitas de autocontrole que é possível que há alguns anos eu não titubeasse para comprar um curso online que me ajudasse a conter minhas emoções exatamente no lugar onde eu acreditava que elas deveriam estar: trancadas no fundo de um baú onde não me incomodassem mais.

O problema é que tudo o que a gente represa uma hora volta com mais força e mais fúria do que nunca. Não é diferente com as emoções. O que é um verdadeiro desastre, uma vez que a gente só busca tão desesperadamente o autocontrole porque tem pânico absoluto de perder o controle… que é bem o que acontece quando a panela de pressão explode.

Um dia, uma pessoa linda, que é uma das minhas lanternas no meio da escuridão, me disse que pacificar as emoções não era sobre ter autocontrole. Nãaaaaaooooo? “Apenas solte”, ela me ensinou. Soltar é bem mais difícil que ter autocontrole porque a gente se agarra às coisas, às pessoas e aos sentimentos como se deles dependesse a nossa existência. Mas não há nada mais libertador que soltar.

Não é sobre segurar a emoção entre os dentes e as lágrimas dentro do peito, mas decididamente soltar também não é sobre dizer verdades duras a todos ou chorar copiosamente as mazelas de uma vida inteira no ombro do primeiro que aparecer.

Soltar é sobre silenciar sem calar. É sobre encontrar no silêncio uma paz que não existe no meio da confusão que nos impomos. Não é sobre fechar os olhos e os ouvidos pra quem precisa de nós. Mas é sobre perceber que, se não podemos nos refugiar no silêncio que acalma e que pacifica, nosso acolhimento para o outro nunca será tranquilo nem desprendido. 

As malas que a gente carrega são muitas, são muito pesadas e há muito estão conosco. Soltá-las não é fácil. Mas manter o controle enquanto caminhamos com tanto peso nas costas também é muito difícil. Em vez de tentar o curso online para desenvolver um pouco mais de autocontrole, estou preferindo experimentar um caminho que me libere um pouco do controle. Tem uma das minhas bolsas, cheia de pedras, que anda pesando demais. Vou ver se consigo pelo menos esvaziá-la um pouco… pra seguir mais leve. E menos controlada.

Quem vem comigo?

aromaterapia

Caixa de cheirinhos

Caixa de óleos essenciais BR Living Kit - doTERRA Brasil


Amanhã começa, em Belo Horizonte, o III Congresso Internacional de Aromatologia – Ciaroma e, ainda que eu não vá conseguir participar – porque amanhã também é dia de seminário na Unipaz -, estou aqui cada dia mais empolgada com meus cheirinhos curadores.

Faz alguns dias que recebi minha caixa, com 10 óleos essenciais da dōTERRA, e entrei num mergulho profundo na aromaterapia. Já li e reli umas tantas vezes O Guia Completo dos Óleos Essenciais, de Gill Farrer-Halls, e estou louca pra comprar o Modern Essentials, um manual delícia que está à venda na Aromatools.

Eu já tinha usado óleos essenciais: um de gerânio em dias de TPM, lavanda pra noites insones, hortelã-pimenta pra desentupir o nariz… mas nunca tinha me deliciado com uma caixa inteira de cheirinhos entregue na minha porta. Estou igual criança que acabou de ganhar uma caixa de Legos grandona! Encantada e apaixonada pelos aromas. Nossa primeira noite após a chegada da caixa de cheirinhos foi de sono tranquilo e feliz para a casa inteira: bastou uma gotinha de lavanda no travesseiro de cada um.

Aos poucos, a gente vai descobrindo outros encantos: a gripe que vinha e já foi embora, a dor nas articulações que os cheirinhos também já estão levando pra longe, a alegria que parece trazida pelo aroma de tangerina… Estou achando isso tudo tão gostoso, tão benéfico e tão suave que me deu vontade de vir aqui contar pra vocês.

terapias holísticas

Os florais e o medo

Fotos: Pixabay

Eu já havia ouvido falar dos florais de Bach, mas o que me aproximou definitivamente deles foi o medo da Rosinha. A minha caçula tinha medo de bichos. Não só de cobras, leões ou cachorros bravos. Rosinha ficava paralisada diante dos pombos na pracinha, das formigas, das moscas de padaria… Eventualmente, ela ainda pode fazer isso. Mas hoje já consegue rir de si mesma e até fazer amizade com os cachorrinhos.

Foto: Pixabay

O nome dessa florzinha amarela é Mimulus. Ela é delicada, pequena e é dela que se extrai a essência floral que ajudou a minha caçula a lidar com os seus medos. A essência floral de Mimulus ajuda a lidar com medos específicos e precisos de pessoas geralmente tímidas ou até de bebês que estranham lugares novos. E foi como um bálsamo para a minha Rosinha.

Uma das coisas que acho mais lindas nos florais de Bach é que eles surgiram como um método de auto-cura. O médico inglês Edward Bach havia sido desenganado pelos seus colegas após uma hemorragia digestiva severa, sucedida por uma cirurgia de emergência. Deram-lhe apenas 3 meses de vida. E ele viveu mais 19 anos. Morreu dormindo, logo após afirmar que seu sistema de cura, composto por 38 remédios baseados em essências florais, estava completo.

Os florais, como todas as demais terapias holísticas, não tratam doenças. Tratam pessoas adoecidas. Não há um floral pra dor de barriga, porque a sua sempre será diferente da minha. A essência floral lida com energia e pra que que eu saiba qual é a aquela que vai lhe ajudar, é preciso que eu a escute. Mas é também preciso que a sinta. Porque as palavras não dizem tudo. Em alguns casos, aliás, elas não dizem quase nada. O corpo, os gestos, os olhares e até a entonação que você dá às palavras que diz são capazes de demonstrar bem melhor de que tipo de ajuda você precisa.

Rosinha não é só Mimulus. E aquele seu amigo que é fechado e não gosta de falar das próprias emoções também não é só Water Violet. Somos um mosaico de muitas energias e emoções diferentes. Aliás, não somos. Estamos. Os florais tratam do agora. Mês que vem a gente conversa e vê como fica. Como ficou. Como a gente quer que fique. Pode ser que a dor de barriga por causa do Enem tenha passado e agora tenha aparecido uma certa ansiedade diante de um novo universo chamado universidade. Ok. Os florais também vão ajudar a lidar com isso.

Há algumas flores que nos acompanham durante longos períodos da vida. Talvez até durante a vida inteira. Há outras que nos apoiam em momentos específicos. Particularmente, acho quase poético poder me apoiar nas flores e caminhar assim, com um pouco mais de leveza e um pouco menos de dor. 

aromaterapia, terapias holísticas

Aromas que curam

Foto: Pixabay    

Neste fim de semana, Belo Horizonte vai sediar um evento imperdível pra quem já se rendeu aos encantos da aromaterapia. O III Congresso Internacional de Aromatologia será realizado de sexta a domingo no Centro Médico Unimed. E vai ter muita gente bacana, inclusive de fora do Brasil, falando sobre os diversos usos dos óleos essenciais pelo mundo afora.

O cirurgião e antropólogo francês Jean-Pierre Willen é um dos convidados internacionais do evento. Ele já trabalhou em zonas de conflitos, utilizando óleos essenciais e fitoterapia para tratar epidemias como ebola, zika, chicungunya e malária. Incrível, não é? Mas tem muito mais! A engenheira química Ana Lúcia Ramalho Mercê vai falar de como a aromatologia pode oferecer uma melhora na qualidade de vida dos pacientes com câncer.

Ao todo, o evento vai contar com a participação de 15 palestrantes presenciais e outros 30 que farão sua participação online. Pra quem mora em BH, é uma excelente oportunidade pra conhecer um pouco mais sobre essas gotinhas aromáticas e o incrível poder de cura que elas carregam.

  • CLIQUE AQUI para saber como adquirir óleos essenciais com certificação de origem.