Cultura de paz, mindfullness

Autocontrole

Foto: Pixabay

Acabei de descobrir que existe um curso online ensinando técnicas para desenvolver o autocontrole emocional. Não comprei e, portanto, não posso dizer se é bom. Mas acho que deve ter bastante gente interessada, uma vez que quando a gente digita “autocontrole” no Google recebe uma enxurrada de artigos com dicas para controlar as próprias emoções. Durante muito tempo, eu também corri atrás dessas dicas. O problema é que, comigo, elas sempre falharam.

Teve uma época em que eu tentava contar até 10 quando tinha vontade de gritar. Depois eu aprendi a sorrir quando queria sair correndo. Já segui tantas receitas de autocontrole que é possível que há alguns anos eu não titubeasse para comprar um curso online que me ajudasse a conter minhas emoções exatamente no lugar onde eu acreditava que elas deveriam estar: trancadas no fundo de um baú onde não me incomodassem mais.

O problema é que tudo o que a gente represa uma hora volta com mais força e mais fúria do que nunca. Não é diferente com as emoções. O que é um verdadeiro desastre, uma vez que a gente só busca tão desesperadamente o autocontrole porque tem pânico absoluto de perder o controle… que é bem o que acontece quando a panela de pressão explode.

Um dia, uma pessoa linda, que é uma das minhas lanternas no meio da escuridão, me disse que pacificar as emoções não era sobre ter autocontrole. Nãaaaaaooooo? “Apenas solte”, ela me ensinou. Soltar é bem mais difícil que ter autocontrole porque a gente se agarra às coisas, às pessoas e aos sentimentos como se deles dependesse a nossa existência. Mas não há nada mais libertador que soltar.

Não é sobre segurar a emoção entre os dentes e as lágrimas dentro do peito, mas decididamente soltar também não é sobre dizer verdades duras a todos ou chorar copiosamente as mazelas de uma vida inteira no ombro do primeiro que aparecer.

Soltar é sobre silenciar sem calar. É sobre encontrar no silêncio uma paz que não existe no meio da confusão que nos impomos. Não é sobre fechar os olhos e os ouvidos pra quem precisa de nós. Mas é sobre perceber que, se não podemos nos refugiar no silêncio que acalma e que pacifica, nosso acolhimento para o outro nunca será tranquilo nem desprendido. 

As malas que a gente carrega são muitas, são muito pesadas e há muito estão conosco. Soltá-las não é fácil. Mas manter o controle enquanto caminhamos com tanto peso nas costas também é muito difícil. Em vez de tentar o curso online para desenvolver um pouco mais de autocontrole, estou preferindo experimentar um caminho que me libere um pouco do controle. Tem uma das minhas bolsas, cheia de pedras, que anda pesando demais. Vou ver se consigo pelo menos esvaziá-la um pouco… pra seguir mais leve. E menos controlada.

Quem vem comigo?