Cultura de paz

A vida em mandala

Foto: Francklin Celso Vitor

O planeta não precisa de mais pessoas bem-sucedidas, o planeta precisa desesperadamente de mais pacificadores, curadores, restauradores, contadores de histórias e amantes de todos os tipos.

DALAI LAMA

O mundo geralmente se organiza em bolhas, mas é nas mandalas que ele floresce. Penso que não há felicidade possível dentro das bolhas onde a gente teima em permanecer para jamais precisar suportar o encontro com o outro, o diferente, o que não pensa igual, o que não viveu as mesmas experiências, o que não enxerga o mundo sob a mesma lente que nós. Dentro das bolhas, a gente finge que se protege, mas invariavelmente encontra a extinção ou o colapso daquela bolha e acaba se pegando novamente em desespero, à procura de uma nova bolha quentinha pra se alojar e se esconder do mundo que pulsa do lado de fora, alheio aos anseios de todas as bolhas.

As mandalas permitem que as bolhas se toquem, se entrelacem e, eventualmente, se dissolvam. Permitem o convívio das diferenças. Dos que pensam diferente. Dos que talvez não queiram o mesmo que nós. Dos que não crêem nas nossas mesmas crenças. E, no entanto, vivem e sustentam este mesmo planetinha que todos habitamos.

Não há muito conforto na mandala. Ao menos, não à primeira vista. Ela comporta divergências e não é muito cômodo lidar com isso. Passado algum tempo, no entanto, as pessoas sentem-se inteiramente à vontade com a ideia de uma roda que cabe todos os olhares – sob todas as lentes –, que cabe jeitos distintos de agir e de sentir, que inclui os sonhos individuais nos grandes sonhos coletivos.

Há problemas pequenos, médios, grandes e enormes nas bolhas e nas mandalas. Pode ser que não existam além das mandalas, mas ainda não conheço esse lugar (ou não-lugar). Permitir que as diferentes bolhas integrem um mesmo grande círculo me parece um caminho interessante. As conversas em roda, as ideias divergentes, os momentos em que cada um decide ceder um pouco pra que alguma coisa, de repente, ande: não há nada de muito grandioso nessas pequenas rodas que se formam em alguns cantos. Mas há pequenas mudanças, pequenas curas, pequenas conquistas de paz. Beija-flor levando água no bico pra apagar o incêndio na floresta… Quem sabe alguém gosta da ideia e eles começam a se multiplicar por aí?

A foto deste post foi feita durante o estágio realizado nas comunidades da Amorita, em Itabira, pela turma 15 do curso FHB – Formação Holística de Base, realizado pela Unipaz BH, e este texto foi inspirado nessa experiência.

Cultura de paz, mindfullness

Castelos de areia

Foto: Pixabay

Castelos de areia me lembram todas as planilhas que tentei fazer pra organizar a vida e o futuro. Arrumei tudo muito direitinho, botei no papel, marquei data, enfeitei… e a onda do mar desmanchou tudo. Até eu finalmente entender que essa é a lógica dos planos e dos castelos de areia: eventualmente, eles são muito bem executados e servem pra que fiquemos felizes ou nos sintamos muito orgulhosos… mas uma onda do mar fatalmente virá e desmanchará tudinho.

Quando a gente começa a se divertir com as ondas que destroem castelos, a vida passa a ficar mais leve. Não é um processo fácil, mas desconfio que ele é necessário. Porque as ondas sempre vão destruir os castelos. E a gente vai sempre construir outros. E chega a ser engraçado que a gente continue pensando que esses agora não serão mais destruídos… porque vão. O destino dos castelos de areia é serem destruídos pelas ondas do mar. E, no entanto, a gente insiste em acreditar que isso não vai acontecer.

Acho que este site é sobre construir castelos… e é também sobre admirar as ondas do mar. É sobre perceber que há alguma coisa que permanece mesmo quando os castelos são destruídos. A areia ainda está lá. O mar permanece. E a gente sempre consegue se reinventar.

Aqui vamos falar de pacificar e de estar em paz. E de tentar levar a vida de um jeito mais leve, mais suave… vendo as ondas do mar destruírem castelos e tentando achar uma certa graça nisso. Porque, no fundo, tudo tem uma certa graça. E se tem uma coisa que salva a gente é o humor. 🙂

Sejam bem-vindos a este lugar onde ninguém tem controle nada!