AIM - Abordagem Integrada da Mente

Descortinando a raiva

Reprodução/Pixar

Sob a raiva, sempre há dor.

(Eckart Tolle)

Um barulho que nos assusta, uma situação que nos parece injusta, uma proposta que não nos agrada, uma ideia que vai de encontro à nossa própria ideia, uma pessoa que ousa pensar diferente de nós ou propor um caminho diverso daquele que acreditamos ser o melhor. Qualquer coisa que fuja à nossa obsessão por controle pode ser um gatilho para que aquele monstrinho vermelho assuma posição no nosso centro de controle e aperte um botão que, geralmente, vai fazer um estrago do lado de fora. Eu já li várias argumentações bastante bem fundamentadas em defesa da raiva. E continuo acreditando que ela, de modo geral, apenas dói e faz doer.

Minha intenção, com isso, não é despertar a sua raiva, uma vez que é bastante possível que a essas alturas você já esteja enfileirando argumentos para discordar de mim. Proponho apenas um exercício: lembre-se de algum momento – qualquer momento – em que você acredita que a raiva o ajudou. Lembrou? Então agora pense em como lidaria com essa mesma situação se aquela raiva não estivesse presente. Se quiser, deixe aí nos comentários as suas percepções para que a gente possa conversar um pouquinho a respeito. Eu gosto bastante de pessoas que discordam de mim, preferencialmente quando elas são respeitosas e não estão sob o domínio da raiva. 😉

Não acredito em autocontrole. Já disse isso antes. Portanto, não acredito que a raiva desapareça simplesmente porque a gente decidiu abrigá-la no fígado ou olhar para o outro lado, fingindo que ela não existe. Pelo contrário, acho que para lidar com esse sentimento, a gente precisa olhar nos olhos daquele monstrinho vermelho que mora dentro da gente. Precisa sentar-se com ele, suportar e investigar a sua dor. Porque concordo com Eckart Tolle: “Sob a raiva, sempre há dor”.

Não acredito em controle da raiva também por um outro motivo: acho que o controle é um dos propulsores da raiva. Queremos controlar a vida, a morte, a opinião das outras pessoas, o ambiente ao redor, a dor e o alívio da dor. Quando não conseguimos, nos frustramos e somos tomados pela raiva. De modo que abrir mão do controle – em vez de buscá-lo como solução – talvez seja uma estratégia mais eficaz para lidar com essa emoção, por vezes tão perturbadora.

Alguns de vocês já podem estar espumando de raiva e imaginando centenas de exemplos para justificar explosões iradas, mesmo que elas geralmente aconteçam em contextos muito mais prosaicos do que esses. Mas vamos lá. Vamos aos grandes eventos! Se uma moça foi violentada, não é necessário ter raiva do estuprador? Eu lhes devolvo a pergunta: é necessário ter raiva para exercer a justiça ou pode-se apenas exercer a justiça sem raiva? A moça violentada se beneficiará da sua raiva ou do seu acolhimento? Não espere respostas. Não as tenho. Tenho apenas perguntas. E gosto mais de perguntar que de responder. Sigo acreditando que as perguntas abrem, enquanto as respostas fecham. E prefiro as portas abertas do que fechadas.

Se esse tema lhe intriga e lhe provoca um certo mal estar, se você também não se sente bem quando age sob o domínio da raiva e se ainda não encontrou tempo, disposição ou coragem para tomar um café com esse monstrinho vermelho que vez por outra assume o centro de comando da sua psique, eu gostaria de lhe fazer um convite. Na próxima quarta-feira, dia 3 de fevereiro de 2021, às 20h, vou facilitar um encontro baseado em AIM – Abordagem Integrada da Mente para mergulhar nas raízes mais profundas da raiva. A contribuição é de apenas 30 reais. Vem comigo?