Cultura de paz

2019: façamos a revolução

Foto: Pixabay

E 2018 chegou aos finalmentes. Passei no Mercado Central de Belo Horizonte esta semana e até desisti de fazer as compras porque não conseguia nenhuma vaga no estacionamento. O povo devia estar comprando castanhas, romãs, peixes, incensos, lentilhas, banhos de rosas e talvez flores para as oferendas. Todo mundo pensando num jeito de pedir boas vibrações pra 2019. E é isso mesmo que a gente deseja a cada virada de ano, não é? Que o próximo seja melhor, mais suave, mais próspero, mais alegre, mais saudável, mais pacífico e mais amoroso.

Eu gosto de uma taça de espumante à meia-noite e gosto de abraços do meu companheiro e das minhas filhas, que quase sempre dormem, mas este ano prometeram fazer uma cabaninha na sala pra surpreender o Ano Novo antes que ele apareça (tentaram fazer isso com o Papai Noel, mas o bom velhinho foi mais esperto do que elas e deixou os presentinhos na árvores sem que elas percebessem).

Gosto dos ritos de passagem. Acho que podem ser simbólicos das mudanças que queremos fazer em nós mesmos. Porque entendo que, de verdade, a única coisa que podemos mudar, em 2018, 2019 ou 2029, é a nossa própria mente. Podemos mudar o modo como vemos as coisas. Podemos mudar a forma como reagimos às paisagens que nos aparecem. E podemos mudar a maneira como lidamos com esse mundo que tanto nos encanta quanto nos assusta.

No Natal, eu ganhei alguns presentes e um deles foi o livro mais recente do Dalai Lama. Chama-se “Façam a revolução” e é dedicado aos jovens. Apenas comecei a ler, mas já sei o suficiente para lhes garantir que Sua Santidade, o 14º Dalai Lama, não propõe que a garotada se arme de canhões e fuzis para tomar o poder seja lá de que nação for. Por favor, não é isso!

A revolução que o mestre budista propõe aos jovens é baseada na compaixão. Ele acredita que apenas a compaixão que sentimos pelos seres é capaz de salvar este nosso planetinha azul. É por compaixão com quem vem depois que a gente decide economizar a água ou parar de maltratar o solo. É por compaixão com quem estará aqui depois que formos embora, que a gente resolve preservar mais e destruir menos. É por compaixão com quem está ao nosso lado que a gente às vezes decide tranquilizar a própria mente e relaxar um pouco mais, agindo menos por impulso e mais por amor.

Eu disse que não faria listas na virada do ano. Vou tentar cumprir a promessa. Mas gostaria de me propor – e a quem mais achar que isso pode ser uma boa ideia – um desafio para este ano vindouro: a proposta de ser mais compassiva, de olhar menos pras minhas próprias questões e um pouco mais pra amplitude dos problemas que envolvem os outros seres. Queria também propor a mim mesma um pouco menos de palavras intempestivas e um pouco mais de silêncio.

Como todo o resto dos textos deste site, aqui também temos apenas um caminho a ser construído. Não sei o quanto desses projetos será possível cumprir. Não sei, sequer, se são bons projetos. Mas intuo que sim. E gostaria de tentar. Meus desejos pra 2019, deste modo, são um pouco mais de compaixão e um pouco menos de intempestividade. E o que for possível de silêncio e quietude pra acalmar a alma e embasar as ações.

A cada um de vocês eu desejo que 2019 seja um ano de caminhos serenos e alegrias compartilhadas. Desejo que sigamos caminhando juntos e que possamos contar uns com os outros.