Cultura de paz

Ser leve precisa ser uma escolha… leve

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“Eu não aguento mais! Eu juro que estou tentando ser uma pessoa leve! Eu acordo às 5h pra meditar, saio às 5h40 pra fazer ginástica, faço cursos de Disciplina Positiva pra tentar lidar da melhor maneira possível com aqueles capirotos que tenho lá em casa e juro por tudo que há neste mundo que tenho me empenhado como poucos para implementar todas as regras da CNV – Comunicação Não-Violenta em todos os lugares onde sou obrigada a estar. Mas eu não aguento mais!”

Eu ouvi o relato daquela moça. Ela realmente queria uma vida mais tranquila. E estava se empenhando como poucos. Ela havia escolhido ser leve.

_ O que é ser leve?

_ …

Não sei. É estar sempre tranquila, não me preocupar tanto com as coisas. É não me irritar tanto quando não consigo atender às demandas do meu chefe, da casa, das crianças…

Não sei. Acho que não sei o que é ser leve.

_ Você gostaria de não se irritar, mas se sente sobrecarregada, é isso?

_ Sim. Eu sempre levo trabalho pra casa. Depois que as crianças dormem, muitas vezes fico até 1h, 1h30 da manhã trabalhando. E às vezes depois disso ainda cuido de preparar minha marmita com comidas saudáveis pra garantir que não me contamine muito.

_ E acorda às 5h pra meditar e ir à ginástica?

_ Sim… Tenho feito isso.

Ela estava exausta. Custara a encaixar na sua rotina as atividades que acreditava que lhe trariam leveza. Não relaxava nunca porque seus horários eram milimetricamente cronometrados pra que ela conseguisse fazer tudo o que se propusera. E a primeira pergunta que havia me feito era se podia deixar o celular ligado durante a sessão de Reiki porque o chefe poderia ligar. O Reiki também era uma tentativa de tornar-se leve, eu entendi.

_ Você já encerrou o expediente hoje?

_ Sim.

_ Eu não acho uma boa ideia deixar o celular ligado.

_ Ok.

Ela consentiu, um pouco contrariada. Demorou meia hora pra permitir que seu corpo relaxasse um pouco.

Ser leve era uma escolha pesada na vida corrida e atribulada daquela moça. E ela estava a beira de um colapso.

A Disciplina Positiva é uma boa ideia para se contrapor à educação verticalizada que conhecemos. Os preceitos da CNV podem ajudar bastante na comunicação com as pessoas e eu não tenho a menor dúvida de que a meditação é um caminho precioso na vida de qualquer ser humano. Mas a escolha por uma vida leve precisa, ela mesma, ser leve.

Existe uma sabedoria que antecede as elaborações e as regras. Seu corpo pede pra continuar dormindo se você trabalhou por quase 18 horas no dia anterior. Acordar às 5h pra meditar num dia como esse talvez não seja uma boa ideia. E se você está exausta diante de uma criança que berra – talvez porque também esteja exausta –, é possível que silenciar e acalmar o seu próprio coração antes de decidir o que fazer lhe dê pistas melhores do que tentar recordar, sob os gritos do filho, todos os preceitos do livro de Disciplina Positiva que você terminou de ler no mês passado.

Com o celular desligado e uma música suave, a moça recebeu o Reiki e saiu do espaço de atendimento com um semblante mais tranquilo. Desejei, do fundo do meu coração, que ela iniciasse seu terceiro turno com menos preocupações.

Interromper a rotina, no meio do dia para receber Reiki, ou uma massagem, pode ser um bálsamo para seguir mais leve. Mas é preciso desligar o celular. E é preciso desligar também esse encadeamento incessante de pensamentos, que está constantemente criando realidades e formando conceitos sobre absolutamente tudo e todos. Parar, somente. E aos poucos ir aprendendo a parar mesmo durante o dia.

“É difícil ser leve”, a moça afirmou.

Não devia ser, mas é. Aprendemos a carregar tanto peso, tanta bagagem, tanto conhecimento… Sim, é difícil deixar essas malas pesadas e se permitir voar um pouco. Mas é uma boa coisa. Palavra de quem carrega duas mil malas lotadas de pedra e tijolo, mas sente-se bastante feliz quando, no meio do dia, solta cada uma delas e diz: vou ali voar um pouco dentro do meu silêncio. E que já anda descobrindo que esse lugar de silêncio é o melhor lugar do mundo.

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Crise de cura

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O que negas, te subordina. O que aceitas, te transforma.

(Carl Gustav Jung)

“Tive uma noite dificílima depois da sessão de Reiki. Me arrependi de ter vindo aqui na semana passada.” O relato era da minha cliente. “Ando chorando a toa desde que estive aqui. Não durmo bem. Todos haviam me dito que o Reiki melhorava o sono e diminuía a ansiedade. Foi por isso que vim.”

Perguntei a ela há quanto tempo não chorava antes daqueles dias. “Não me lembro. Muito tempo.” Era preciso explicar-lhe como funciona uma crise de cura. Quando se varre a poeira pra debaixo do tapete, não é muito cômodo decidir fazer uma faxina. Às vezes a poeira chega a desencadear uma crise de asma. Não é que a poeira não estivesse ali. É que antes não se via.

Rosângela sofria de ansiedade, se irritava facilmente com as pessoas e chegou ao espaço terapêutico pensando em deixar, a um só tempo, o marido e o emprego. Mas, conforme me relatava naquele segundo encontro, não era alguém que se debulhasse em lágrimas como vinha fazendo nos últimos dias.

Ela se definia como uma pessoa forte, decidida e de gênio indomável. Brigava por seus direitos e por qualquer coisa que considerasse errada no mundo. Dormia mal, era vista pela família como excessivamente controladora e não tinha muita paciência para arroubos emotivos.

“Você era uma criança segura e forte?”, perguntei.

“Não. A vida me tornou forte. Eu era uma criança tola, chorona. Uma menina que não sabia brigar e vivia querendo pacificar o que não podia ser pacificado.”

Há tantas coisas que não conseguimos pacificar. Não porque não é possível, mas porque nem sempre temos recursos para isso. Tantas guerras que gostaríamos de impedir. Tantas brigas que gostaríamos de não ver. Tanta violência que desejaríamos ter impedido.

Não sei quais eram as guerras que Rosângela gostaria de ter pacificado. Sei, no entanto, que represá-las não impediu que essas guerras seguissem lhe tirando o sono e a paz pelos tempos vindouros. Não impediu que, de tempos em tempos, seus canhões estourassem dentro do peito da mulher, agora forte.

Ela estava irritada com o Reiki. No lugar dela, eu também estaria. Afinal, tudo o que ela havia amassado e apertado pra esconder em gavetas que não revelassem toda a fragilidade que lhe parecia tão má, de repente resolvera escorrer pelos olhos sem nenhum pudor.

O que ela nem imaginava é que as lágrimas que não haviam lhe dado sossego durante uma semana eram o antídoto para a dor que, em algum momento, ela não poderia mais suportar. Não se pode controlar uma dor com analgésicos a vida inteira. É preciso vivê-la, entender sua origem, olhar nos olhos dela e, só então, dizer que ela pode ir.

Minha cliente acabava de olhar nos olhos da sua própria dor. Acabava de entrar em contato com a menina que gostaria de pacificar o mundo e sentira-se incapaz. Acabava de entender que podia pacificar o seu próprio mundo. Não nos vimos muitas vezes depois daquele dia. Mas ela me mandou uma mensagem para contar que finalmente dormia melhor, que decidira dar uma nova chance ao emprego e também ao marido. E que, qualquer dia desses, gostaria de passar no espaço terapêutico porque achava que o Reiki era mesmo muito relaxante.

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Flexibilidade que cura

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“O Reiki é flexível como bambu.”

A frase, repetida diversas vezes pelo mestre que me iniciou nos três níveis do Reiki – e também no mestrado –, me encantou de saída. Sempre me encantaram os corpos, os caminhos e as ideias flexíveis. Adaptar-me a quaisquer circunstâncias que a vida apresente, tal e qual a água, que toma a forma do copo ou da jarra, para depois se revelar livre e fluida e se derramar onde quer que caia, é uma espécie de meta pra quem sempre acha um jeito de incluir Rock Water – o remédio de Dr. Bach, dedicado às pessoas rígidas – em todas as suas formulações florais.

A flexibilidade do método criado pelo japonês Mikao Usui é um bálsamo para a minha própria rigidez. É a cura pros meus torcicolos, dores de cabeça tensionais e ideias fixas. A energia do Reiki sabe por onde deve seguir. Permitir que ela flua por meio de mim para os corpos dos meus clientes é um percurso mágico, que cura a mim mesma enquanto trata do outro. Há um script. Sempre há. Mas ele muitas vezes se perde no exato momento em que minhas mãos tocam o corpo do outro e sentem o Byosen. A energia encontra o seu próprio script.

O Reiki aceita cromoterapia, aromaterapia, manobras de shiatsu, florais de Bach… Aceita crenças e não crenças. “O Reiki é flexível como bambu.” Para algumas pessoas, receber Reiki é fonte de um relaxamento profundo. Pra outras, é um percurso de transformação. Pra mim, é um caminho de cura. E é por isso que resolvi falar dele hoje.

O aval da ciência

Incluído desde 2017 entre os procedimentos cobertos pelo SUS, o Reiki promove o relaxamento, diminui o stress psicológico e atenua dores inclusive em pacientes de câncer. Um estudo realizado pelo psicobiólogo Ricardo Monezi, da Universidade Federal de São Paulo, mostrou que a terapia ajuda também a combater o tumor. Ele aplicou o Reiki em ratos e, na sequência, analisou suas células de defesa. “Em comparação com o grupo de controle, esses animais apresentaram um sistema imune mais agressivo contra a enfermidade. E nem precisamos falar que bichos não acreditam em Reiki.” (Para saber mais sobre essa e outras pesquisas, clique aqui)

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Os florais e o medo

Fotos: Pixabay

Eu já havia ouvido falar dos florais de Bach, mas o que me aproximou definitivamente deles foi o medo da Rosinha. A minha caçula tinha medo de bichos. Não só de cobras, leões ou cachorros bravos. Rosinha ficava paralisada diante dos pombos na pracinha, das formigas, das moscas de padaria… Eventualmente, ela ainda pode fazer isso. Mas hoje já consegue rir de si mesma e até fazer amizade com os cachorrinhos.

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O nome dessa florzinha amarela é Mimulus. Ela é delicada, pequena e é dela que se extrai a essência floral que ajudou a minha caçula a lidar com os seus medos. A essência floral de Mimulus ajuda a lidar com medos específicos e precisos de pessoas geralmente tímidas ou até de bebês que estranham lugares novos. E foi como um bálsamo para a minha Rosinha.

Uma das coisas que acho mais lindas nos florais de Bach é que eles surgiram como um método de auto-cura. O médico inglês Edward Bach havia sido desenganado pelos seus colegas após uma hemorragia digestiva severa, sucedida por uma cirurgia de emergência. Deram-lhe apenas 3 meses de vida. E ele viveu mais 19 anos. Morreu dormindo, logo após afirmar que seu sistema de cura, composto por 38 remédios baseados em essências florais, estava completo.

Os florais, como todas as demais terapias holísticas, não tratam doenças. Tratam pessoas adoecidas. Não há um floral pra dor de barriga, porque a sua sempre será diferente da minha. A essência floral lida com energia e pra que que eu saiba qual é a aquela que vai lhe ajudar, é preciso que eu a escute. Mas é também preciso que a sinta. Porque as palavras não dizem tudo. Em alguns casos, aliás, elas não dizem quase nada. O corpo, os gestos, os olhares e até a entonação que você dá às palavras que diz são capazes de demonstrar bem melhor de que tipo de ajuda você precisa.

Rosinha não é só Mimulus. E aquele seu amigo que é fechado e não gosta de falar das próprias emoções também não é só Water Violet. Somos um mosaico de muitas energias e emoções diferentes. Aliás, não somos. Estamos. Os florais tratam do agora. Mês que vem a gente conversa e vê como fica. Como ficou. Como a gente quer que fique. Pode ser que a dor de barriga por causa do Enem tenha passado e agora tenha aparecido uma certa ansiedade diante de um novo universo chamado universidade. Ok. Os florais também vão ajudar a lidar com isso.

Há algumas flores que nos acompanham durante longos períodos da vida. Talvez até durante a vida inteira. Há outras que nos apoiam em momentos específicos. Particularmente, acho quase poético poder me apoiar nas flores e caminhar assim, com um pouco mais de leveza e um pouco menos de dor. 

Cultura de paz, mindfullness

Castelos de areia

Foto: Pixabay

Castelos de areia me lembram todas as planilhas que tentei fazer pra organizar a vida e o futuro. Arrumei tudo muito direitinho, botei no papel, marquei data, enfeitei… e a onda do mar desmanchou tudo. Até eu finalmente entender que essa é a lógica dos planos e dos castelos de areia: eventualmente, eles são muito bem executados e servem pra que fiquemos felizes ou nos sintamos muito orgulhosos… mas uma onda do mar fatalmente virá e desmanchará tudinho.

Quando a gente começa a se divertir com as ondas que destroem castelos, a vida passa a ficar mais leve. Não é um processo fácil, mas desconfio que ele é necessário. Porque as ondas sempre vão destruir os castelos. E a gente vai sempre construir outros. E chega a ser engraçado que a gente continue pensando que esses agora não serão mais destruídos… porque vão. O destino dos castelos de areia é serem destruídos pelas ondas do mar. E, no entanto, a gente insiste em acreditar que isso não vai acontecer.

Acho que este site é sobre construir castelos… e é também sobre admirar as ondas do mar. É sobre perceber que há alguma coisa que permanece mesmo quando os castelos são destruídos. A areia ainda está lá. O mar permanece. E a gente sempre consegue se reinventar.

Aqui vamos falar de pacificar e de estar em paz. E de tentar levar a vida de um jeito mais leve, mais suave… vendo as ondas do mar destruírem castelos e tentando achar uma certa graça nisso. Porque, no fundo, tudo tem uma certa graça. E se tem uma coisa que salva a gente é o humor. 🙂

Sejam bem-vindos a este lugar onde ninguém tem controle nada!