mindfullness

O silêncio e o barulho

Foto: Pixabay

Foco no agora, Dani. Atenção. Nada de passado ou futuro rondando. Aí o pensamento vai lá na agenda. “Eu tinha que ter marcado aquele atendimento. Será que não é melhor parar agora e anotar. Depois posso me esquecer…” Não, Dani. Foco no aqui. Respira. Foca na respiração. Ok. O ar entra pelas narinas. Sai um pouco mais quente do que entrou. “Por que eu me irritei daquele jeito com as meninas? Meu Deus, preciso me lembrar de pedir desculpas a elas. Não seria bom fazer isso agora?” Tá doida, Daniela? Volta, pessoa. Foco no aqui. São apenas 15 minutos. “Ok. 15 minutos.” Corpo firme, mas flexível. Calor. Respiração. Energias se equilibrando. “Que blusa eu deveria usar pra gravar aquele vídeo hoje? Tô me achando meio feia…”. Volta, Dani. “Ok. Tem alguma coisa mais equilibrada que, dentro de mim, observa toda essa confusão que surge na minha mente.”

A meditação salva os meus dias. A busca pela atenção plena é um dos caminhos mais bonitos que descobri nessa jornada que há alguns anos decidi empreender em busca de paz. No meio da confusão, eu às vezes encontro o equilíbrio. Não esvazio a mente, nem paro de pensar. Apenas solto os pensamentos, que surgem em turbilhões a cada vez que me sento. E nada é mais pacificador do que esse silêncio. Ao me levantar, descubro que o atendimento com que eu me preocupava já tinha sido marcado, peço desculpas às meninas e elas nem entendem o porquê e acho que aquela camiseta de alça está bem ok pra gravar o vídeo para o YouTube. 

Quando a gente encontra um lugar silencioso pra descansar, imóveis, todos os movimentos e as palavras que se seguem são mais suaves. O que aprendo, pouco a pouco, é que não há momento nem circunstâncias ideais. Há a gente, aqui e agora, nas condições que temos hoje. O barulho pode demorar a cessar. Pode não cessar. Então vamos silenciar com barulho mesmo…